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domingo, 5 de dezembro de 2010

O Tempo Passou e me Formei em Solidão!!!

Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite. 

Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um. 

– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre. 

E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia. 

– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável! 

A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... Casa singela e acolhedora. A nossa também era assim. 

Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas– e dizia: 

– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa. 

Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... Tudo sobre a mesa. 

Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. 

Pra quê televisão? Pra quê rua? Pra quê droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... Era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade... 

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa... A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... Até que sumissem no horizonte da noite. 

O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa: 

– Vamos marcar uma saída? – ninguém quer entrar mais. 

Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores. 

Casas trancadas.. Pra quê abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos, do leite... 

Que saudade do compadre e da comadre!

José Antônio Oliveira de Resend

5 comentários:

  1. Realmente amiga, os tempos passaram e deixaram todos nós aprisionados no passado, quando podíamos ser mais livres, nos tornamos realmente, prisioneiros da solidão.
    Abraços forte

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  2. Concordo em parte com o amigo, não vivemos de passado e sim de presente, sabem porque?
    porque o futuro a DEUS pertence.
    Do passado lembro as coisas boas que vivi, as ruins procuro não lembrar.
    Tudo que esta escrito aqui é a verdade mas não posso pensar no passado senão me enfraqueço e ai é que vou me deparar com a solidão e até hoje não me sinto solitária.
    bjos minha linda e tão querida amiga!

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  3. O tempo passou e não me conformei com a solidão. Busquei, bati, pedi. Que me liberte do passado e reconstrua para o hoje e para futuro é o que desejo para mim e para todos aqueles que ainda buscam em si, na parte, o acesso a Deus, o Todo.

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  4. Realmente é algo de se pensar. O lugar onde nunca me encontram é em casa. Até meu cachorro as vezes me estranha.

    Parabéns pelo Texto

    MarquesK

    Só o Rock Alivia

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  5. marombeira aqui sou eu marco190391 do chapadaoblog,,queria te agradecer por ser a primeira parceria do meu blog,,antes tinha no maximo 50 visitas por dia,,hoje tem 400 por dia e vai soh aumentando,,obrigado por acreditar em mim na epoca,,e sobre este post,,é a mais pura verdade,,jovems estao preferindo ficar na net do que sair de casa,,ainda me lembro da epoca que saiamos eu e minha familia de maos dadas pra ver uma prosissao,,e a noite de natal,,boas lembranças..bjo abraço do seu parceiro marco190391

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